A História e a Música

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Qua, 15 de Abril de 2009 14:36

Extraido da página da UOL em 15/04/2009

Onde se encontram os fãs de Iron Maiden e o povo da bossa nova? Na aula de história. Isso mesmo: além de serem um recurso para cativar a turma, as músicas podem servir como estímulo ao aprendizado de conteúdos históricos densos - seja sobre personalidades como Alexandre, o Grande, seja sobre a ditadura brasileira. E quem não quer sair da aula cantando ou batucando no caderno?

"Uso, por exemplo, a música "Sunday, Bloody Sunday", do U2, que faz referência ao Domingo Sangrento na Irlanda, de 1972", conta o professor de história Iberê Wendel de Pádua Lopes, da Escola Suíço-brasileira.

Com a música, Lopes faz associações também com o Domingo Sangrento da Revolução Russa de 1905, quando uma manifestação pacífica foi violentamente rechaçada pela guarda do czar - deixando centenas de mortos.

"A turma gosta muito de Raul Seixas e de rock, então uso a música 'O Conto de um Sábio Chinês' para abordar a filosofia oriental. A letra fala de um sábio chinês que era uma borboleta. Dá para mostrar as diferenças da cultura ocidental com a do oriente", exemplifica Lopes.

"Os alunos gravam com mais facilidade, quando usamos os recursos sonoros. A molecada gosta disso. Muitas das músicas os alunos até conhecem, mas não têm idéia do contexto em que foram criadas. Alguém tem de chamar atenção para essas relações", afirma o professor de história do Anglo Jucenir da Silva Rocha.

Com foco em história do Brasil, Rocha utiliza vasto repertório de marchinhas e de sambas que falam da história de presidentes e personalidades importantes do país.

"A música 'Tá-hí! P'ra Você Gostar de Mim', cantada pela Carmem Miranda, era para o presidente Getúlio Vargas. Ela era amante de Getúlio e, na época, só as pessoas mais politizadas sabiam disso", conta o professor.

Outro "homenageado" em canções foi o marechal Hermes da Fonseca. Em 1914, sua mulher, Nair de Tefé, tocou ao violão o "Corta-jaca", um maxixe composto por Chiquinha Gonzaga - na época, a música provocou escândalo.

Ao fim de seu mandato, surgiu uma versão satirizando o militar, conhecido pela população como "Seu Dudu" e com fama de azarado:

"Ai, Filomena
Se eu fosse como tu
Tirava a urucubaca
Da careca do Dudu"

"Não é que o presidente era azarado, mas ele era uma figura despolitizada. Sabia mandar, e não governar, pois não tinha jogo de cintura. Acabou caindo na boca do povo", conta Rocha.

História ajuda no aprendizado de música

Se por um lado a música ajuda a aprender história, os fatos estimulam o aprendizado dos instrumentos. É o que assegura o coordenador da área de música da Escola Suíço-brasileria, André Barreto.

"É difícil gerar interesse na criança. Às vezes, o professor de música quer explicar que a técnica é importante e que a mão tem determinadas características. Aí a criança nem vai prestar atenção", afirma. "O mais importante é gerar interesse, é gerar outros ganchos para o aprendizado."

Com a história do rock e ensinando violão, Barreto reconstrói a história americana e a da Inglaterra. "Os estudantes se interessam mais, vão pesquisar. E se envolvem de outra forma."

Atualizado em Qua, 13 de Maio de 2009 21:38