Partindo da idéia primal de que o Rock brasileiro tem em sua formação um caráter artístico genuíno e precoce sua gênese pode ser delimitada pela passagem da primeira para a segunda metade do século XX. Nos anos 50 Nora Ney causaria um frisson ao entoar no programa de César de Alencar (na Rádio Nacional), uma melodia, interpretada com um inglês perfeito, que estava sendo lançada num filme (Blackboard), o ano era 1955 e a melodia era "Rock Around the Clock". Lançado pela gravadora Continental foi um sucesso imediato, o gênero rock nasceu nascia no Brasil na boca de uma cantora de fossa que graças a sua boa dicção usurpou a primazia da juventude, Nora Ney (então com 33 anos) não se empolgou com o sucesso imediato, sua reação a realidade que o Rock lhe proporcionava foi gravar um samba-canção "Cansei de Rock" encerrando assim sua aventura a este gênero musical.
No final dos anos 50 o Brasil começa a produzir seus primeiros ídolos e sucessos cantados em português, um dos primeiros grupo de rock brasileiros a despontar foi Betinho e Seu Conjunto, que gravaram em 1957 "Enrolando o Rock". Alberto Borges de Barros, o Betinho, era filho de Josué de Barros, o descobridor de Carmen Miranda - e pode ser visto interpretando "Enrolando o Rock" no filme Absolutamente Certo, um clássico da chanchada. Alguns apontam para Cely Campello como sendo nossa primeira estrela do gênero, famosa por "Estúpido Cupido" (1959) e "Banho de Lua" (1960). Ela e o irmão Tony comandaram, de 59 a 62, o programa de TV Crush em Hi-Fi, vitrine para pioneiros como Ronnie Cord, de "Rua Augusta" (1960).
Em 1958, um carioca chamado Tim Maia formou o grupo The Sputniks, que, infelizmente, não deixou muitos registros - mais dois dos membros, Roberto e Erasmo Carlos, consolidaram uma parceria que dominaria a geração seguinte, Roberto Carlos cantou rock nos programa de Carlos Imperial, em uma das trajetórias mais impressionantes da música popular brasileira (quem te viu quem te ver Rei). Com dois sucessos na parada nacional - "Parei na Contramão" e "Splish Splash" (1963) o cantou se destacou construindo seu próprio reinado em um mar de aspirantes a rei das rádios.
"Nós sabíamos da sofisticação da Bossa Nova, mas sabíamos também que o rock tinha um diálogo com o povo".
A Jovem Guarda realizou o que até então era apenas sonhos dos pioneiros do Rock no Brasil, que foi um paralelo com a mesma revolução romântica que a juventude californiana e londrina sofrera na década de 60. Em 1965 o programa da Record apresentado por Roberto e Erasmo Carlos atingiu 90% de audiência já em suas primeiras semanas de apresentação desencadeando uma grande indústria em torno dos artistas, foi colocado no mercado botas, roupas, acessórios e até mesmo brinquedos da trupe da Jovem Guarda. Negócios a parte Jovem Guarda não é Rock e um de seus lideres Erasmo se deu conta como consta em seu relato - "Quando vi na televisão Jimi Hendrix e The Who quebrando guitarras pensei agora a gente dançou".
O Rock brasileiro entra em sua maioridade no segundo semestre de 1968 - Uso de guitarras e distorção nos ‘nobres' festivais de MPB, efeitos eletrônicos em clássicos como o de Orlando Silva, Discos-Manifesto anunciando o alvorecer de um novo tempo muitas vaias e tomates vindos do público era a tropa de choque Tropicalista chegando para abalar a ordem. Desde o inicio, o Tropicalismo pareceu ser muito estimulante, mas Gil e Caetano não sabiam claramente o que queria quando apresentaram "Domingo no Parque" (primeira musica com efeitos no Brasil) e "Alegria, Alegria", em 1967 - Caetano neste dia cantava vestindo terno e gola rolê! Quando neste mesmo ano é lançado aquilo que mudaria o rumo da música, eles entraram em contato com o LP Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles e decidiram dar uma nova roupagem em suas composições para o próximo festival o que Caetano em toda a sua modéstia viria a chamar de Som Universal.
e depois de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band.
Caetano antes...
Com a incorporação em seu som do uso de guitarras (existia uma resistência ao emprego de guitarras na música nacional) e a orquestração feita pelo maestro paulista Rogério Duprat. Caetano, Gil e Cia acompanhavam as tendências ditadas pela fase psicodélicas dos Beatles. Em setembro de 1968, houve a primeira apresentação com roupas extravagantes, na eliminatória do Festival Internacional da Canção, da Excelsior. Houve toda aquela vaia durante "É Proibido Proibir", Caetano fez seu discurso e decidiu com Gil (Sr. Ministro que defendia "Questão de Ordem") abandonar o festival.
É neste momento que o tropicalismo realmente invadiu o cenário brasileiro, quando se passou a falar sobre uma nova estética. O termo apareceu empregado neste contexto quando saiu o disco de Caetano, cuja primeira faixa era justamente Tropicália.