Dez discos bacanas que ninguém conhece

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Ter, 08 de Setembro de 2009 17:23

Por Regis Tadeu, colunista do Yahoo! Brasil

Young Disciples
YOUNG DISCIPLES - Road to Freedom

Uma das coisas mais bacanas surgidas no final dos anos 80 foi o acid jazz, uma mistura de funk, hip hop e jazz, cujo embrião surgiu na Inglaterra e depois se espalhou pelo mundo. Várias foram as bandas que se destacaram nesse meio - como o Jamiroquai e o Incognito -, mas muitas não tiveram tempo para isso, já que lançaram apenas um único álbum. É o caso do Young Disciples, que, em apenas um disco, conseguiu sintetizar toda a elegância harmônica/melódica do estilo, com composições sacolejantes e intrincadas em termos de acordes. A banda era tão boa que logo de cara emplacou um grande hit - "Apparently Nothin'" (veja o vídeo aqui) - e trouxe como convidados em Road to Freedom ente do porte de Fred Wesley, Maceo Parker (ambos da banda de James Brown) e Paul Weller, então no Style Council. O Young Disciples acabou quando a vocalista Carleen Anderson saiu para uma carreira solo que não vingou, mas este disco continuou a ser uma pérola, embora escondida para o público brasileiro. Bom, pelo menos até agora...

 

Yaniel Matos
YANIEL MATOS - En Movimiento
Radicado no Brasil há mais de oito anos, este jovem e excepcional pianista cubano - parceiro do guitarrista Kiko Loureiro (Angra) em suas aventuras musicais fora do heavy metal - é dono de uma técnica assombrosa. Não bastasse isso, ele apresentou em seu único disco solo uma exuberância musical de fazer cair o queixo. Transitando com desenvoltura pelo jazz, rumba, salsa e o que mais aparecer pela frente, Yaniel usa suas composições também para colaborar na ampliação da simbiose destes gêneros com a música brasileira, com resultados não menos que esplendorosos.

YOU AM I - Hourly, Daily
Liderado pelo vocalista/guitarrista Tim Rogers, este grupo australiano foi descoberto por Lee Ranaldo, do Sonic Youth, e conseguiu construir uma discografia bastante sólida, mas que não recebeu a devida atenção do mercado nacional - apenas este Hourly, Daily e o bom Deliverance (de 2002) foram lançados aqui. Este disco - que retrata a vida de um cara em um único dia na Austrália - traz canções singelas e marcantes, que soam como se o The Smithreens fosse a banda de apoio do Paul McCartney. Uma das melhores faixas é "Soldiers" aprecie.

YOUNG GODS - TV Sky
Esta banda eletrônica suíça vem aterrorizando os cânones do estilo desde o final dos anos 80, misturando batidas eletrônicas insanas com riffs pesadíssimos de guitarras e teclados esquizofrênicos, resultando em um caldeirão indigesto para ouvidos sensíveis. Neste disco, os caras resolveram tentar entrar no mercado americano - pela primeira vez, o líder Franz Treichler passou a cantar em inglês - , que já tinha o Ministry como objeto de culto. Desta forma, as canções se tornaram mais concisas, servindo para uma hipotética viagem psicótica pelas estrada de uma América infestada de anfetaminas e junkies tarados.

YUSUF - Roadsinger
Dono de uma carreira brilhante nos anos 70, Cat Stevens repentinamente largou tudo em 1977 e se converteu ao Islamismo, mantendo-se afastado do show business até 2006, quando voltou a gravar um disco - no caso, o excelente An Other Cup -, usando seu nome atual, Yusuf Islam. Mas é neste Roadsinger que ele sacramentou a riqueza musical de sua atual fase, com canções belíssimas, simples e tocantes, todas com arranjos que realçam ainda mais a poética do cara.

YOUNG MC - Return of the 1 Hit Wonder
Ah, que saudade dos tempos em que o hip hop era feito por gente que dominava a linguagem do rap e não era esse antro de falastrões sem talento dos dias atuais, que substituíram o peso da parte instrumental do passado por sonoridades mais fracas que café de orfanato. Um dos caras mais legais era o inteligente Young MC, que já havia estourado com a ótima "Bust a Move" e deu continuidade à sua respeitada carreira comn este excelente Return of the 1 Hit Wonder, uma crítica ferina e bem humorada aos caras que tentaram embarcar em uma onda que não era a deles.

YELLOW BALLOON - Yellow Balloon
Esta bacana e subestimada banda americana dos anos 60 tinha entre seus integrantes um ator famoso - o batera Don Grandy, astro da série america My Three Sons - e o multiinstrumentista Daryl Dragon, que na década seguinte faria muito sucesso ao lado de sua mulher com a dupla Captain & Tenille (lembra do sensacional hit "Love Will Keep Us Together"?). Os caras lançaram apenas um único disco, já que a banda desmoronou quando o álbum simplesmente não vendeu aquilo que seus integrantes e a própria gravadora esperavam. Foi uma pena, pois o que se ouve aqui é um som bem na linha dos Beach Boys, mas com alguns achado melódicos surpreendentes para a época em termos de arranjos.

YANKEE DOLLAR - Yankee Dollar
Esta banda foi fundada em 1966 e gravou alguns discos com o nome de Pacific Grass & Electric, um trocadilho maconheiro em cima do nome da empresa Pacific Gas. Preocupado com um processo e um boicote por parte das rádios, o produtor Frank Slay mudou o nome da banda e fez com que os integrantes do grupo acentuassem ainda mais a mistura de Jefferson Airplane com The Mamas & The Papas em seu som, tornando as músicas ainda mais legais.

YERBA BUENA - President Alien
Este coletivo latino-americano é capitaneado pelo produtor e multiinstrumentista venezuelano Andres Levin, conhecido por suas participações em discos de Marisa Monte, Arto Lindsey e até mesmo de Tina Turner. Em seu disco de estréia, lançado em 2003, ele elaborou uma salada deliciosa de salsa, rumba, hip-hop e r&b, cercado de convidados de alta estirpe, como a excelente baixista Me'Shell N'degéOcello, o guitarrista Marc Ribot, o trompetista Roy Hargrove, o produtor e tecladista Money Mark (famoso por seu trabalho com os Beastie Boys) e até mesmo Carlinhos Brown. Com arranjos impecáveis e dançantes até o último fio de cabelo, este é um daqueles discos que levantam qualquer festa.

YOUNGBLOODS - Youngbloods
Sem jamais merecer os devidos créditos, esta banda foi um artífices do folk rock na segunda metade dos anos 60 e sempre lançou bons discos, comandada pelo excelente vocalista e compositor Jesse Colin Young. Neste álbum estão os fundamentos do estilo, com a exata dose de psicodelia e influências do blues, que tornaram o chamado "som de San Franscisco" uma marca registrada de toda uma geração.

 



Regis Tadeu é editor das revistas Cover Guitarra, Cover Baixo, Batera, Teclado & Piano e Studio. Diretor de redação da Editora HMP, crítico musical do Programa Raul Gil e apresenta/produz na Rádio USP (93,7) o programa Rock Brazuca.

 

Atualizado em Qui, 10 de Setembro de 2009 12:47