Sou um apreciador de artigos em vias de desuso. Ópera, poesia e mulheres sem curiosidade bissexual.
Um deles é o disco, o LP propriamente dito. Acho estranho o consumo musical feito através de downloads imaterias, sem capa, sem encarte, sem espera anciosa. Como tantos prazeres, descobrir uma canção hoje tende ao casual, dadas a enorme oferta de música, a facilidade e a pressa que temos em consumir. Obviamente sou um ouvinte produzido pela segunda metade do século 20. Antes de jogar pedras em quem desfilaseu iPod, recuo e lembro que meu hábito também foi estimulado pela indústria. O setor fonográfico primeiro se apresentou através de compactos - que, sim, fizeram história na música - até que surgiram os long-plays e, aí, forma determinou conteúdo. Espertos, os Beatles entenderam o disco como espaço para o conceitual no pop e, assim, até abandonaram os shows.
YOUNG DISCIPLES - Road to Freedom Uma das coisas mais bacanas surgidas no final dos anos 80 foi o acid jazz, uma mistura de funk, hip hop e jazz, cujo embrião surgiu na Inglaterra e depois se espalhou pelo mundo. Várias foram as bandas que se destacaram nesse meio - como o Jamiroquai e o Incognito -, mas muitas não tiveram tempo para isso, já que lançaram apenas um único álbum. É o caso do Young Disciples, que, em apenas um disco, conseguiu sintetizar toda a elegância harmônica/melódica do estilo, com composições sacolejantes e intrincadas em termos de acordes. A banda era tão boa que logo de cara emplacou um grande hit - "Apparently Nothin'" (veja o vídeo aqui) - e trouxe como convidados em Road to Freedom ente do porte de Fred Wesley, Maceo Parker (ambos da banda de James Brown) e Paul Weller, então no Style Council. O Young Disciples acabou quando a vocalista Carleen Anderson saiu para uma carreira solo que não vingou, mas este disco continuou a ser uma pérola, embora escondida para o público brasileiro. Bom, pelo menos até agora...
Ta entendendo que lista tem aos montes e que nem por isto todas elas dizem algo que preste ou valha; aqui mando mais uma lista - dentro de uma velha discossão sobre a existência ou não de vida útil na década de noventa. Independente do lado correto, temos de reconhecer á existencia de grandes marcos da música nestes fatídicos anos o adendo aqui deve-se a sensação de que modo geral os atores deste teatro deixaram um pouco a desejar. A lista foi baseada na revista BIZZ do ano de 1999, mas como toda lista gerou polemica portanto alguns itens foram mudados de lugar excluído e
acrescentados você lógicamente pode discordar, mandando assim suas modificações e listas novas.
Partindo da idéia primal de que o Rock brasileiro tem em sua formação um caráter artístico genuíno e precoce sua gênese pode ser delimitada pela passagem da primeira para a segunda metade do século XX. Nos anos 50 Nora Ney causaria um frisson ao entoar no programa de César de Alencar (na Rádio Nacional), uma melodia, interpretada com um inglês perfeito, que estava sendo lançada num filme (Blackboard), o ano era 1955 e a melodia era "Rock Around the Clock". Lançado pela gravadora Continental foi um sucesso imediato, o gênero rock nasceu nascia no Brasil na boca de uma cantora de fossa que graças a sua boa dicção usurpou a primazia da juventude, Nora Ney (então com 33 anos) não se empolgou com o sucesso imediato, sua reação a realidade que o Rock lhe proporcionava foi gravar um samba-canção "Cansei de Rock" encerrando assim sua aventura a este gênero musical.